
Este livro deve ter sido um dos mais vendidos do autor. Pena é que ele tenha seguido o exemplo de outros grandes escritores portugueses e os seus romances se tenham tornado mais e mais dificeis de ler e acompanhar.
Atenção!!! Que fique bem claro que sou há anos um leitor fiel deste autor. O que eu lamento é que ele tenha posto de lado a escrita simples de ivros como: "
Contos da Sétima Esfera" livro de contos publicado em 1981; do delicioso "Casos do Beco das Sardinheiras" (aconselho a todos) também contos de 1985; ou "A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho" de 1983 mais uma vez contos, mais uma vez deliciosos e mais uma vez um livro que aconselho; ou ainda o romance "A Paixão do Conde de Fróis" de 1986.
Depois começou o descalabro em "Um deus passeando pela brisa da tarde" de 1994 e "Era Bom que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto" de 1995 assistimos àqueles que são os últimos bons romances de Mário de Carvalho - o primeiro é simplesmente magnifico. Os livros que ele publicou depois foram-se tornando "pesados", dificeis de acompanhar - talvez porque tenha abandonado a escrita ligeira com que escreveu os primeiros romances. (excepção feita ao magnifico e inovador "O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana" de 1982 e este apesar da linguagem e estrutura mais elaborada era relativamente fácil de acompanhar)
Os últimos romances "Fantasia para dois coroneis e uma piscina" de 2003 e "A sala magenta" de 2008 tornavam-se a dado momento aborrecidos e memo intragaveis - isto dito por alguém que, como já disse e repito, sou admirador do trabalho deste autor.
Por favor!!! se tal for ainda possivel volte a escrever como escrevia no inicio da carreira. As suas melhores páginas foram essas.
Agora que já desabafei vamos lá falar deste livro

Lusitânia, séc. III d.C. Neste romance, talvez o mais importante de Mário de Carvalho, tudo se passa numa cidade da Lusitânia, Tarcisis, no momento em que Império Romano começa a soçobrar, devastado por factores internos e externos, as invasões bárbaras e a cristianização. E é num ambiente de decadência que todo o romance se desenrola. Apanhado na vertigem dos acontecimentos e rodeado de sinais que escapam ao seu entendimento, Lúcio Valério, o magistrado supremo é espoliado e perde todo o seu poder. Mário de Carvalho avisa-nos, no começo do romance: "...Tarcisis nunca existiu...", no entanto, devemos estar atentos, sobretudo os detentores do poder, aos sinais dos tempos, para percebermos o que nos acontece.
«Vista das alturas - como decerto os deuses a contemplam -Tracissis agora apequenava-se no seu sono, distanciava-se de mim e das sensações do meu quotidiano , assumia uma neutra materialidade, objectiva, o se tanto inquietante. A Decumana deserta, por cima do qual íamos passando; o fórum, com a monotonia rígida das suas colunatas e a imponência do templo de Júpiter; o espaço côncavo do teatro inacabado branquejando à distância; a confusão das ruas estreitas (…)»
Mário de Carvalho nasceu em 1944, em Lisboa. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa em 1969. Desde jovem que se envolveu na luta antifascista, tendo estado preso ainda na década de 60 e durante o serviço militar. A sua luta política leva-o ao exílio, primeiro para a França, depois para a Suécia, em 1973. Após o 25 de Abril regressa a Portugal. A sua estreia literária dá-se em 1981, tendo desde aí publicado regularmente numa grande diversidade de géneros: romance, drama, contos, guiões.
A sua escrita é extremamente versátil e torna-se impossível incluí-lo numa escola literária. A crítica considera-o um dos mais importantes ficcionistas da actualidade e a sua obra encontra-se traduzida em vários países (Inglaterra, França, Grécia, Bulgária, Espanha, etc.).
Recebeu diversos prémios, podendo-se destacar, na sua bibliografia, o romance histórico "Um Deus passeando pela brisa da tarde", que constitui o seu melhor sucesso de vendas e que mereceu a aclamação da crítica, tendo sido distinguido com o Grande Prémio da APE (romance) 1995, o Prémio Fernando Namora 1996 e Prémio Pégaso de Literatura do mesmo ano.Vencedor, em 2004, do Grande Prémio de Literatura ITF/DST.
Bibliografia do autor:
Contos da Sétima Esfera (contos), 1981 ; 1998
Casos do Beco das Sardinheiras (contos), 1982 ; 2004
O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana (romance), 1982 ; 1999
A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho (contos), 1983 ; 2004
Era Uma Vez um Alferes (conto), 1984 ; 1985
Fabulário (contos), 1984 ; 1998
A Paixão do Conde de Fróis (romance), 1986 ; 2004
Contos Soltos (contos), 1986
E se Tivesse a Bondade de Me Dizer Porquê? (Folhetim) (em colaboração com Clara Pinto Correia), 1986 ; 1996
Os Alferes (contos), 1989 ; 2000
Água em pena de pato (teatro), 1991
Quatrocentos Mil Sestércios seguido de O Conde Jano (novelas), 1991 ; 2001
Um deus passeando pela brisa da tarde (romance), 1994 ; 2003
Era Bom que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto (romance), 1995 ; 2003
Apuros de um Pessimista em Fuga (novela), 1999
Se Perguntarem por Mim, Não Estou seguido de Haja Harmonia (teatro), 1999
Contos Vagabundos (contos), 2000
Fantasia para dois coronéis e uma piscina (romance), 2003 ; 2004
O Homem que Engoliu a Lua (infanto-juvenil), 2003
21 Retratos do Porto para o Século XXI (Álbum ilustrado) (em colaboração com vários), 2004
A sala magenta (romance), 2008