
A trilogia completa que nos relata os horrores dos campos de concentração nazis contado por um dos sobreviventes.
Primo Levi é considerado um dos maiores nomes da literatura italiana e nas páginas destes três livros percebemos porquê.
Em «Se Isto É Um Homem» Levi conta na primeira pessoa as recordações e os horrores passados em Auschwitz e recorda também muitos daqueles que se cruzaram com ele nesse campo e não conseguiram sobreviver.
Fala-nos dos presos e dos guardas, do dia-a-dia no campo de concentração, do medo, da dor, da luta pela sobrevivência...
E fala da esperança e de como ela se pode perder...
Conta-nos de pessoas reduzidas a menos do que animais mas que mesmo assim guardam no fundo deles uma faceta humana, uma história. E é essa história, essa faceta que ele tenta transmitir para que todos se lembrem que aqueles que sofreram e morreram às mãos de um ideal sanguinário eram simplesmente humanos.
Em «A Trégua» ele conduz-nos pela longa viagem que se seguiu à libertação dos campos de concentração em primeiro para Leste e apenas depois para casa em Itália.
Se no primeiro livro ele contava dos horrores dos campos de concentração e dos tormentos que aí ele e outros sofreram em «A Trégua» o tom é diferente mesmo quando a sua situação parece desesperada, quando a fome aperta ou se depara com os restos de uma Europa devastada pela Guerra.
Parece quase transmitir um optimismo exagerado do género: "depois de tudo pelo que passei não será isto que me vai derrotar". Talvez esteja a exagerar o seu relato é o mais fiel possível dos dias que se seguiram à queda do poder nazi, mas está irremediavelmente contaminado pela alegria e pela sensação de liberdade de novo conquistada.
Segue-se como conclusão da trilogia o livro: "Os Que Sucumbem e Os Que Se Salvam"
Mais do que tudo um aviso às gerações futuras: "Evitem cometer os mesmos erros e atrocidades" (que não foram evitados em várias ocasiões);
É também uma analise dos factos vividos pelo autor a uma distância relativamente grande (o livro só foi escrito em 1986 [um ano antes do autor se suicidar]) e se ele novamente recorda os horrores dos campos de concentração também faz uma reflexão e uma análise profunda do comportamento quer dos guardas e dos responsáveis dos campos quer dos próprios reclusos da forma com interagiam de como se comportavam de como reagiam à vida nos campos e de como lidaram com a liberdade.
Cada um dos livros é indispensável não apenas para a compreensão dos horrores dos campos de extermínio e do sofrimento dos prisioneiros (existem dezenas ou centenas de livros desses) mas como um aviso do que a humanidade é capaz de fazer a si própria.
Uma lição que não deveríamos esquecer.
Mas que por vezes parece que já esquecemos...