Vem isto a propósito de quê?
Faço esta inconfidência por causa deste livro publicado pela Ésquilo "O Espião de D. João II" de Deana Barroqueiro.
Nos últimos quatro anos reuni informações dados biográficos sobre uma das mais importantes e mais esquecidas figuras da época dos descobrimentos portugueses: PÊRO DA COVILHÃ.
E quando já tinha tudo pronto quando comecei a escrever e a alinhavar as ideias vem-me parar às mãos este livro:

E esta é a história que eu ia contar. A viagem de Pêro da Covilhã até à Índia e a demanda pelo reino do Preste João. (Eu talvez tivesse abordado um pouco mais a juventude dele em Espanha ao serviço de D. Juan de Guzman mas se já assim o livro tem para cima de 500 páginas se fosse incluir essa fase em detalhe seria um romance interminável).
Sobre o livro:
O formidável Espião de D. João II possuía qualidades e talentos comparáveis aos de um James Bond e Indiana Jones, reunidos num só homem. A memória fotográfica, uma capacidade espantosa para aprender línguas, a arte do disfarce para assumir as mais diversas identidades, a mestria no manejo de todas as armas do seu tempo e, sobretudo, uma imensa coragem e espírito de sacrifício, aliados ao culto cavaleiresco da mulher e do amor que o fascinavam, fazem dele uma personagem histórica única e inspiradora.
El-rei D. João II escolhia-o para as missões mais secretas, certo que qualquer outro falharia. Talvez esse secretismo seja a razão do seu nome de família e do seu rosto terem ficado, para sempre, na penumbra.
Em 1487, Pêro da Covilhã foi enviado de Portugal, ao mesmo tempo que Bartolomeu Dias, a descobrir por terra, aquilo que o navegador ia demandar por mar: uma rota para as especiarias da Índia e notícias do encoberto Preste João.
Ao espião esperava-o uma longa peregrinação de cerca de seis anos pelas regiões do Mar Vermelho e costas do Índico até Calecut e, também, pela Pérsia, África Oriental, Arábia e Etiópia, descobrindo povos e culturas em lugares hostis, cujos costumes lhe eram completamente estranhos. Na pele de um enigmático mercador do Al-Andalus, o Escudeiro-guerreiro do Príncipe Perfeito realizou proezas admiráveis que causaram espanto no mundo do seu tempo.
Neste romance fascinante, Deana Barroqueiro convida-nos a seguir o trilho de Pêro da Covilhã na sua fabulosa odisseia recheada de aventuras, amores, conquistas e descobertas inolvidáveis…
O livro é excelente mas uma palavra à autora:
- Depois de me ter "roubado" a ideia e de ter escrito o "meu" livro (melhor do que eu poderia escrever) só lhe posso dizer uma coisa: ODEIO-A ...
15 comentários:
Caríssimo Diogo, mil perdões pelo desastre que inocentemente lhe causei! Pode crer que eu entendo a sua frustração e o "ódio" à causadora (eu!)da perda da sua preciosa obra. Entendo-o porque já passei várias vezes pela mesma situação com o escritor Fernando Campos. Parece sina, mas, quando vou já adiantadíssima na investigação, ele publica um romance com o meu herói ou o tema que estou a trabalhar, como aconteceu com Francisco Manuel de Melo, por exemplo, ou com o falso D. Sebastião.
Só lhe posso dizer que há sempre remédio e que deve fazer como eu fiz, nessas desventuradas ocasiões: aproveitar a matéria estudada e trabalhá-la, escrevendo sobre outro ângulo, tomando outra personagem (porque não o Afonso de Paiva?).
Ou debruçar-se sobre essa parte da vida de Pêro que eu tive de saltar, dada a extensão do romance, como o período de Sevilha ou os 30 anos na Etiópia com a história das embaixadas que é uma narrativa fabulosa?
Imaginação pode muito, meu caro Diogo, não esmoreça nem desista, para eu não ter remorsos para o resto da minha vida.
E EU AMÁ-LO-EI POR ISSO!
Um beijo
Deana Barroqueiro
cara Deana,
Muito obrigado pelas suas amaveis palavras e conselhos. Confesso que me senti bastante deprimido quando li o seu livro (não que ache o livro deprimente - antes pelo contrário) mas sou capaz de aceitar a sua sugestão sobre a juventude de Pero da Covilhã. Ainda deve dar para encher um livro...
Embora não quisesse fazer como parece (infelizmente) estar na moda nos dias de hoje de aproveitar um tema que faz sucesso e escrever sobre isso.
Até porque já tenho ideias para outras histórias (e se calhar é melhor despachar-me antes que alguém me "roube" as ideias).
Mais uma vez muito obrigado pelas suas palavras e apoio.
Espero que tenha compreendido que aquele "odeio-a" não era a sério...
Então a gente anda nisto há mais de um ano - é verdade que não com a regularidade desejada, mas pronto, mesmo assim mais de um ano - e tu chegas metes uma, UMA!!! uma postagem e tens direito a comentário da autora do livro?
Não é justo!
Nos meus Contos Eróticos do Velho Testamento (e Nos Novos Contos...), tal como Saramago, achei sempre deus muito invejoso e parece que não me enganei... ao ver o ciumento post de deuS, ao pungente pedido de desculpas que lhe fiz, Diogo.
Se eu falasse habitualmente com o divino, até escreveria a deuS, porém, depois dos meus contos sobre a Bíblia, deixou de haver diálogo entre mim e o Todo-Poderoso.
Para melhor o consolar, Diogo, devo dizer-lhe que já tinha escrito, entre 2002 e 2004, uma saga de aventuras de 5 volumes sobre o Pêro da Covilhã. Foi portanto uma paixão anterior à sua!
Quanto a esse "ódio", tomei-o pela graça e inteligência com que o escreveu e me levaram a responder-lhe. Além disso, queria agradecer-lhe o generoso elogio que me faz.
Um grande abraço e boa escrita.
Deana Barroqueiro
Confesso a minha ignorancia mas não conheço nem o livro nem a autora.
Mas, meu carissimo Diogo, isso é que foi começar com o pé direito.
Força aí a ver se da próxima vez fazes outra igual e consegues comentários do ou da Autor/a que escolheres.
Eu ia desancar-te então isso diz-se? ODEIO-A!? Mas já vi que ela te perdoou por isso esquece a ensaboadela.
Mas olha que só com esta fizeste subir a cotação deste blogue.
Beijinho
Presumo que os autores e participantes deste blogue não são de Lisboa (bisbilhotei e vi Coimbra), portanto, não devo ter a sorte e o prazer de os ver na Fnac do Colombo, na próxima 4ª feira, dia 25, às 18.30, para uma conversa sobre o disputado Espião de D. João II, que será apresentado pela Professora Helena Barbas.
Não queria, todavia, deixar de vos convidar e ficaria divertidíssima e encantada se viessem.
Um abraço e boa escrita
Deana Barroqueiro
Posso apenas falar por mim e lamentavelmente é-me impossivel estar presente - tanto pelo facto de estar em Coimbra como pelo facto de estar a trabalhar e sair às 19:00... o que torna a viagem impossivel de todo.
Mas quem sabe talvez venha fazer a apresentação a Coimbra e nessa altura nós vamos (eu pelo menos vou).
Muito obrigado pelo convite.
O meu problema é exactamente o mesmo do Zé (Bybloz) trabalho até as 18.30 e (infelizmente) é impossivel ir de Coimbra a Lisboa e chegar a tempo para a apresentação do livro.
Ficamos então à espera de uma visita para a apresentação do livro em Coimbra.
Mas seja como for muito obrigado pelo convite.
Acho que falo por todos quando digo que ficamos muito honrados e agradecidos com o convite mas (e agora falo por mim) é de todo impossivel fazer a viagem até Lisboa a meio da semana tendo que trabalhar das 9.00 às 18.30 (ainda por cima a hora a que é feita a apresentação deste livro). Mas fica a promessa de não faltar num possivel (e desejado encontro) em Coimbra ou mesmo em Lixboa ou outro local mas num horário mais favoravel.
Obrigada pela vossa gentileza. Calculei que fossem de Coimbra, pelo que não se justificaria, de modo algum, uma vinda a Lisboa para assistirem a um lançamento de livro, a menos que eu fosse o Saramago. Mas quis dar-vos a entender que gostaria de vos conhecer. Já estive mais perto de ir aí com o livro, mas acabou por não se concretizar. Vamos ver se acontece qualquer dia.
Boas leituras e escritas! Um abraço virtual.
Deana Barroqueiro
Posso garantir que nunca esteve nos meus planos fazer 200 km para ouvir o Saramago falar.
Admiro muito a escrita dele mas enquanto pessoa (e sei que pelo menos o Mário, Deus e o César concordam comigo) acho-o terrivelmente maçador... acha-se o senhor da verdade e é um pouco arrogante. Mas não deixa de ser um excelente escritor.
Quanto à viagem para Lisboa é de todo impossivel faze-la - como já disse anteriormente trabalho até às 19:00 e o lançamento do livro começa às 18:30 juntando no minimo 1 hora de viagem quando chegasse já estava tudo acabado... além disso a "patroa" (leia-se esposa)está doente e alguém tem de tomar conta da pequena.
Quanto ao Saramago nunca fui e não está nos meus planos ir à apresentação de um livro dele... até porque e ao contrário do que a senhora fez ele nunca comentou a postagem que a gente aqui pôs do último livro dele (talvez se tivessemos feito o mesmo que outros blogues e sites e dito mal dele ele se dignasse a deixar umas palvras mas dizer bem não alimenta polémicas nem vende livros).
Como disse, e bem, o Diogo apesar dele ser um excelente escritor a "personagem" que ele encarna em público é um tanto arrogante e maçador...
preferia, e digo a verdade, ir assistir à apresentação do seu livro.
Eu normalmente consigo fazer a diferenciação entre o escritor e a pessoa (excepção feita ao Miguel Sousa Tavares - enerva-me de tal maneira como pessoa que nunca consegui pegar num livro dele), casos há em que adoro os livros de um dado escritor mas a pessoa não me merece simpatia é o caso de Saramago tenho de concordar com os adjectivos utilizados pelos meus colegas de blogue.
Já a senhora pelo simples facto de se ter dignado comentar no nosso blogue merece toda a minha simpatia e posso assegurar que se houvesse uma minima hipotese eu ia a Lisboa assistir à apresentação do livro (coisa que não faria pelo Saramago também lho posso assegurar)
Caros amigos (permitam-me que vos trate assim, porque este "namoro" das postagens já vai longo e é gostoso).
Partilho convosco o prazer de ler Saramago, dei até o Memorial do Convento nas minhas aulas quando ninguém o lia. Fiquei todavia com muito má impressão dele como pessoa, quando há muitos anos deixou uma das minhas colegas, os seus alunos e toda a escola que mobilizámos em sua honra, à espera, em vão, da sua confirmada presença. Faltou sem sequer se dar ao trabalho de mandar alguém telefonar e não é assim que se fazem leitores dos jovens.
Quanto a mim, com os meus 64 anos, não perdi ainda a capacidade de me maravilhar com imensas coisas, "apesar de já ter muito visto".
Uma delas é saber que alguém leu um livro meu e gostou: deixa-me sempre nas nuvens, como se fosse a primeira vez! Como podia não vos escrever, depois do que li?
Aliás, até hoje, nunca deixei de escrever a quem quer que tenha mencionado o meu trabalho.
É a minha maneira de agradecer aos leitores, isso e tentar escrever cada vez melhor, dar-lhes o melhor de mim.
Eu sou a minha escrita ou a minha escrita sou eu, é tão íntimo como respirar. Não há surpresas, escritora e mulher são indivisíveis, embora múltiplas, porque há em nós inúmeros, como diria Pessoa. Gosto de vocês!
Boas escritas
Deana Barroqueiro
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