Berlim, década de 1920. Um cidadão, após cumprir pena durante quatro anos por assassinato, vê-se livre para começar uma nova vida. No entanto, a única convicção que Franz Biberkopf - personagem central desta obra - tem é a de tornar-se e manter-se decente. No início, guiado por esse forte sentimento, ele consegue andar no caminho do bem - até que algo acontece, ele não sabe dizer o quê, e a sua vida acaba seguindo um rumo diferente, mais adverso.Uma obra em que a expressão do sentimento tem mais valor do que a razão. E o sentimento da época era o de uma nação derrotada e humilhada, o que contribuiu para que Alfred Döblin desse voz a esse desafortunado personagem.
Berlin Alexanderplatz é dividido em nove “livros” que descortinam a história do pobre Franz, da cadeia ao sanatório. Transitando por uma Berlim coalhada de proletários e malandros, o grandalhão Franz trabalha como operário e com o transporte de móveis, perambula pelas ruas, vende jornais, explora mulheres, bebe em quantidades industriais. E a cidade que Döblin vai descrevendo é ela mesmo e a par de Franz protagonista da história. Revelada sob muitos e diferentes aspectos a voz dos narradores a manchetes de jornais, placas, anúncios, canções populares…
Berlim Alexanderplatz, a obra-prima de Alfred Döblin, é porventura o mais importante contributo alemão para o «romance da grande cidade», palco das vivências típicas das sociedades industrializadas do século XX. E é, além disso, uma referência fundamental para os admiradores do romance modernista, situando-se ao nível de um Manhattan Transfer, de John dos Passos, ou de um Ulisses de James Joyce.
O romance foi adaptado duas vezes ao cinema, em 1931 e de novo em 1980, por Rainer Fassbinder.
Berlim Alexanderplatz aparece em inúmeras listas como um dos 100 livros mais importantes de sempre.