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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Inéditos Antoine de Saint-Exupéry


Adorei.
Quem conhece a obra deste grande escritor encontra neste livro muito da poesia que ele sempre soube por em cada frase que escreveu, por mais simples que fosse.
Tudo neste livro é inédito os contos a correspondência ou os discursos os apontamentos para obras que ele publicou mas que por algum motivo não foram incluídos no trabalho final.

Mesmo nas cartas encontra-se aquela linguagem tão característica de Saint-Exupéry. Ao mesmo tempo precisa e preciosa, poética, rica… é mais um livro, na minha opinião, indispensável. Seja ou não um admirador do Autor, conheça ou não o seu trabalho.
Se conhece e admira o Autor encontra aqui um pouco mais do seu trabalho, da sua escrita inigualável. Se não conhece (ou conhece pouco) é uma oportunidade única de descobrir um dos melhores escritores do século XX.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

2666 Roberto Bolaño


O que liga quatro germanistas europeus (unidos pela paixão física e pela paixão intelectual pela obra de Benno von Archimboldi) ao repórter afro-americano Oscar Fate, que viaja até ao México para fazer a cobertura de um combate de boxe? O que liga este último a Amalfitano, um professor de filosofia, melancólico e meio louco, que se instala com a filha, Rosa, na cidade fronteiriça de Santa Teresa? O que liga o forasteiro chileno à série de homicídios de contornos macabros que vitimam centenas de mulheres no deserto de Sonora? E o que liga Benno von Archimboldi, o secreto e misterio-so escritor alemão do pós-guerra, a essas mulheres barbaramente violadas e assassinadas? 2666. Para se ler sem rede, como num sonho em que percorremos um caminho que nos poderá levar a todos os lugares possíveis.


Há muito, muito tempo que não lia um livro assim. E não me estou a referir ao tamanho (mais de 1000 páginas).
Refiro-me, isso sim, à genialidade do livro e do autor.
A história, ou melhor as cinco histórias que constituem este magnifico romance, tem um ponto em comum Benno vo Archimboldi um misterioso escritor alemão que ninguém parece alguma vez ter visto.

O livro é simplesmente genial e o irónico é que este livro catapultou Bolanõ para a fama. Logo ele que defendia que fama e literatura eram «inimigas irreconciliáveis». E é verdade que do seu primeiro romance "Consejos de un discípulo de Morrison a un fanático de Joyce" de 1984 (escrito a meias com Antoní Garcia Porta)ou A Pista de Gelo de 1993 (o primeiro romance "a solo"), até ao último publicado em vida Putas Asesinas de 2001, Bolaño foi quase um desconhecido. Foi precisamente este 2666 publicado já depois da sua morte em 2003 que lhe granjeou a merecida fama.

De 1993 até 2003 Bolaño publicou onze livros mas deixou muitos mais por publicar.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A Valsa do Adeus Milan Kundera

Eu sei que provavelmente já nem se encontra disponível em nenhuma livraria.
Eu nem sequer sou grande fã deste senhor mas para este livro abro uma excepção.




A "Valsa do Adeus" foi o último livro que Milan Kundera escreveu na ex-Checoslováquia antes de partir para o exílio e é na minha opinião o melhor livro que ele alguma vez escreveu.


Numas termas paradas no tempo, oito personagens deslizam ao ritmo de uma valsa cada vez mais acelerada: entre outros, uma bela enfermeira grávida, um célebre músico de jazz, um antigo militante desiludido e prestes a abandonar o país, um ginecologista original, um americano rico, simultâneamente santo e Don Juan.
Construído com o rigor de um texto clássico, A Valsa do Adeus (o último livro que Kundera escreveu na antiga Checoslováquia) é o romance mais divertido do autor, uma espécie de “sonho de uma noite de Verão”, um vaudeville negro em que as questões mais graves são colocadas com uma ligeireza blasfema, levando-nos a compreender que o mundo moderno, entre outras coisas, nos roubou também o direito ao trágico.


E para todos os que por aqui param votos de Feliz Natal...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A guerra dos tronos - George R. R. Martin

Sou um fã, e assumo-o, da literatura de fantasia e de ficção cientifica.
Devorei todos os livros de Tolkien, Philipp Pulman, Marion Zimmer Bradley, Assimov, Philip K. Dick...
Confesso que andava já há bastante tempo curioso em relação a esta saga: As Crónicas de Gelo e Fogo.
As críticas eram boas e foi segundo me dizem a primeira obra de fantasia a atingir o topo de Best-Sellers do New York Times e do Wall Street Journal.

Decidi-me então a começar a lê-lo e não me arrependo.
Sendo o primeiro volume serve principalmente para apresentar as personagens e o ambiente em que se desenrola a história mas e ao contrário de muitos o Autor desta saga consegue prender os leitores desde as primeiras linhas.


Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha: uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal: a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia! Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo.

Uma galeria de personagens brilhantes dá vida a esta saga. Entre eles estão o anão Tyrion, a ovelha negra do clã Lannister; John Snow, um bastardo de Eddard Stark que, ao ser rejeitado pela madrasta, decide juntar-se à Patrulha da Noite, uma legião encarregue de guardar uma imensa muralha de gelo a norte, para lá da qual cresce uma assustadora ameaça sobrenatural ao reino. E ainda a princesa Daenerys Targaryen, da dinastia que reinou antes de Robert Baratheon, que pretende ressuscitar os dragões do passado e, com eles, recuperar o trono, custe o que custar.


Não vou ser tão radical como um critico que disse (e passo a citar):
"A Guerra dos Tronos é a mais importante obra de fantasia desde que Bilbo encontrou o Anel."
-SF Reviews.net

mas mesmo não tendo lido a obra completa posso dizer que gostei do que li até agora (e vou comprar hoje o segundo volume) e recomendo-o a quem gostar do género e a quem não gostar também pois é um livro excelente...
Ou então esperem pela adaptação televisiva (a HBO já comprou os direitos)

E já agora uma vez que esta é a minha última postagem do ano aproveito para desejar a todos um excelente Natal e um ainda melhor ano novo.
Até Breve!!!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Dança, Dança, Dança de Haruki Murakami

Realmente corremos o risco de nos tornar repetitivos mas este senhor é um dos grandes escritores da actualidade. Sem contestação possivel...

E no entanto devo dizer que me custou bastante ler o primeiro livro dele que me veio parar às mãos... não que fosse intragavel ou dificil de ler, antes pelo contrário rendi-me de imediato! O que quero dizer é que na altura toda a gente falava no livro "Kafka à beira-mar" e toda a gente dizia bem... não sou de embarcar em manadas (desculpem a expressão) quando vejo muita gente de acordo sobre um livro a maioria das vezes o livro é (na minha opinião) uma porcaria... por isso não comprei o "Kafka..." nem tinha intenção de ol er até mo terem oferecido no Natal há três anos atras (obrigado amor). Desde então tenho devorado tudo dele que me passa pelas mãos.

O mais recente que li foi este "Dança, Dança, Dança" e mais uma vez o Autor conseguiu assombrar-me o que ele escreve, como o escreve está ao alcance de poucos... muito poucos.
"Como é que Murakami consegue fazer poesia ao escrever sobre as emoções da vida contemporânea? Estou ajoelhado de admiração."
Independent on Sunday


Em Dança, Dança, Dança, Haruki Murakami continua a trajectória da personagem de Em Busca do Carneiro Selvagem, agora à procura do seu antigo amor que desapareceu misteriosamente do Hotel Golfinho. Nessa nova busca, o narrador, um jornalista freelancer, perde-se cada vez mais num universo de realismo fantástico, quase kafkiano, envolvendo-se com personagens verdadeiramente singulares: uma adolescente clarividente, um actor de cinema extravagante, um poeta maneta e prostitutas de luxo.
Ambientado em Tóquio, este romance aborda temas como a solidão, o amor e a efemeridade da vida e retrata uma sociedade em constante transformação, altamente consumista e regida por valores como a fama, o dinheiro e o poder. Ao som de músicas dos anos 60, 70 e 80, o narrador e os seus amigos acabam por se envolver num caso de homicídio.


"Esta obra confirma-o como um mestre na sua arte… Fora deste mundo."
Time Out


Façam um favor a vocês mesmos leiam este livro... ou qualquer outro do mesmo autor (há muito por onde escolher) ofereçam no Natal mas não percam a opurtunidade de descobrir um dos mais geniais escritores da actualidade.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sugestões de Natal (Diogo)

Se na postagem anterior, Deus sugeriu livros que já leu eu vou ser mais original: vou sugerir livros que (penso eu) os meus colegas de blogue ainda não teem e adorariam receber.

Cá vai disto:
Para o Zé (Bybloz):

Presságio de Fogo de Marion Zimmer Bradley



Em Presságio de Fogo, Marion Zimmer Bradley, autora de As Brumas de Avalon, reimaginou a história da Guerra de Tróia e reconta-a do ponto de vista de Cassandra, a bela e atormentada princesa real de Tróia.
Na sua brilhante recriação da famosa lenda, a queda de Tróia desenrola-se de uma nova e ousada maneira a partir do julgamento de Páris, do rapto de Helena (esta não sendo aqui a perversa adúltera da lenda, mas sim uma mulher afectuosa e amante, dedicada a Páris e aos seus filhos) e do levantamento dos exércitos gregos por Agamemnon, cunhado enfurecido de Helena, até à tragédia final da destruição da cidade, predestinada pelos deuses e pelo obstinado orgulho dos seus líderes masculinos.
A heroína deste conto épico é Cassandra e a poderosa tensão do romance deriva tanto da luta interna, por ela travada, com as suas próprias lealdades divididas (visto que a sua lealdade ao pai, o rei e aos irmãos é contraposta à sua submissão crescente à fé mais antiga no Matriarcado e na Terra-Mãe), como do amargo conflito entre Troianos e Gregos, no qual prevê fantasmagoricamente a destruição ou a maldição do tudo o que lhe é querido, visto ter o poder da profecia.
Articulando o facto arqueológico com a lenda, os mitos dos deuses com os feitos dos heróis, o facto e a ficção, Marion Zimmer Bradley insufla uma vida nova, num conto antigo, reinventando para nós Aquiles, Eneias, Heitor, Pátroclo, Helena de Tróia, Ulisses, Agamemnon, Menelau como «pessoas» vivas, empenhadas numa luta desesperada que condena tanto os vencedores como os vencidos, sendo o seu destino visto através dos olhos de Cassandra, sacerdotisa, princesa e mulher apaixonada, com um espírito guerreiro!

O PÉRIPLO DE BALDASSARE de Amin Maalouf



«O que a presença dessa mulher apaziguou em mim não foi a sede carnal de um viajante, foi a minha angústia original. Nasci estrangeiro, vivi estrangeiro e morrerei estrangeiro ainda. Sou demasiado orgulhoso para falar de hostilidade, de humilhações, de rancor, de sofrimentos, mas sei reconhecer os olhares e os gestos. Há braços de mulheres que são lugares de exílio, e outros que são a terra natal.»

Tendo partido pelas estradas em 1665, o narrador desta história, Baldassare Embriaco, genovês do Oriente e negociante de curiosidades, anda em busca de um livro que se supõe trazer a Salvação a um mundo desamparado. Anda sem dúvida também à procura daquilo que ainda possa dar um sentido à sua própria existência.
No decurso do seu périplo, no Mediterrâneo e para além dele, Baldassare atravessa regiões de perdição, cidades em chamas, comunidades à espera. Encontra o medo, a falsidade e a desilusão; mas também o amor, no momento em que já não o esperava

«A mola da narrativa de Maalouf é uma inquietação e uma vontade de partir constantes, somada a uma sede de conhecimento que, na época, alargava as fronteiras do espírito. Dos azares, desamores, nostalgias e golpes do destino vamos tendo conta, mas é nas páginas mais pessoais do diário que se estabelece a cumplicidade entre o herói e o leitor e se recupera alento para uma fantástica jornada sem fim.»

Diário de Notícias

«Um verdadeiro fresco literário… um esplêndido e sofisticado prazer. Maalouf tem um excepcional conhecimento da História e um talento natural para a narrativa de aventuras.»

Kirkus Reviews

A Rapariga que Inventou um Sonho
Haruki Murakami



Uma colectanea de contos de um dos mestres da literarura.


Para o João Deus (e este, sabe Deus [o lá de cima]que é complicado):

AS CRUZADAS VISTAS PELOS ÁRABES
Amin Maalouf



Cada vez que encaramos as cruzadas é através dos relatos dos Cruzados. Mas há também aqueles que foram invadidos pelos Cruzados e que foram os habitantes desses territórios. Justamente por esse motivo, Amin Maalouf publica As Cruzadas Vistas Pelos Árabes. Eis o outro lado do binóculo!
Interessa comprovar que as versões orientais e ocidentais não coincidem de todo. Nós escrevemos a nossa própria visão; durante esse tempo, eles escreveram a deles. É por isso que esta nova história das cruzadas não se parece com nenhuma outra.

Errar é Divino
Marie Phillips



Se os deuses são imortais, onde será que vivem e o que será que fazem em pleno século XXI? A resposta poderá surpreendê-lo. Sim, os deuses do Olimpo estão vivos, mas, como os seus poderes já não são o que eram porque já ninguém os venera, o seu dia-a-dia é muito pouco agitado. Um dia, porém, uma seta disparada por Eros vai instalar o caos entre deuses e meros mortais, com consequências hilariantes. Errar É Divino é um romance encantador e inteligente que lhe proporcionará inúmeros momentos de boa disposição.

VOO NOCTURNO
Antoine Saint-Exupéry



Deste modo regressavam a Buenos Aires, vindos do sul, do oeste e do norte os três aviões da Patagónia, do Chile e do Paraguai. Em Buenos Aires esperava-se a sua carga para dar partida, cerca da meia-noite, ao avião da Europa.
Três pilotos, cada um na parte de trás duma coberta pesada como um batelão, perdidos na noite, meditavam no seu voo e, em direcção à cidade imensa, desceriam lentamente do seu céu de tempestade ou de paz, como estranhos camponeses que descem das suas montanhas.
Rivière, responsável por toda a rede, passeava dum lado para o outro no campo de aviação de Buenos Aires. Permanecia silencioso, pois até à chegada dos três aviões este dia para ele continuava a ser temível...


Para o Mário (Mr. Nonsense) (era de esperar que alguém com a colecção de livros que ele tem fosse complicado mas foi o mais fácil):

Guia Prático para Cuidar de Demónios
Christopher Moore



APERTEM OS CINTOS, SENHORAS E SENHORES. É TEMPO DE CHRISTOPHER MOORE! Nesta engenhosa narrativa de Moore encontramos um dos pares mais dissonantes de que há memória nos anais da Literatura. O bem parecido é um ex-seminarista e académico “de estrada”, de cem anos de idade, Travis O’Hearn. O verde é Catch, um demónio com o péssimo hábito de comer praticamente todas as pessoas que conhece. Por detrás da falsa fachada Tudor de Pine Cove, Catch vê um bufete de quatro estrelas. E Travis julga ter descoberto a forma de se livrar do seu companheiro de viagem, de dentes aguçados. Mas, entretanto, os bêbados, as neo-pagãs e os sedutores caloteiros de Pine Cove têm outros planos. E ninguém está minimamente preparado, quando o inferno estoira!

Grimus
Salman Rushdie



O primeiro romance de Salman Rushdie
Depois de beber um elixir que lhe confere a imortalidade, o jovem índio Águia Esvoaçante passa setecentos anos a navegar pelos mares com a bênção, e em última análise a maldição, da vida eterna. Por fim, a sensação de monotonia começa a crescer dentro dele, e acaba por rumar à montanhosa ilha de Calf. Aqui, Águia Esvoaçante conhece outros imortais obcecados com a sua própria estagnação e decide subir ao pico da ilha, de onde emana o misterioso e corrosivo Efeito Grimus. Após uma série de encontros e desafios, Águia Esvoaçante descobre-se na presença do criador da ilha e desvenda os mistérios da sua própria humanidade.

A Guerra dos Fazedores de Chuva com os Caçadores de Nuvens
Guerra para Crianças
José Luandino Vieira



Uma estória de guerras, para crianças. Estória e não história, porque a narrativa é como um mussosso tradicional angolano. E as guerras são o confronto da natureza com a tecnologia. Ou dos donos da terra com os de fora da terra. Ou dos invadidos com os invasores. Dos oprimidos com os opressores.
A solução deste conflito vem da natureza quando os jacarés tomam partido. Ouçamos, no final, a fala do grande chefe Kibaia: «Disse: Só as crianças podem ser ao mesmo tempo vítima, testemunha, juíz e carrasco;».
E, como uso em fecho de narrativa para crianças, uma moral: na dúvida, sempre a favor dos oprimidos.


Para o César:


CONVERSA N’A CATEDRAL
Mário Vargas Llosa



Uma vez que o Mário lhe passou o vicio do Vargas Llosa.
Sentados a uma mesa da taberna A Catedral, o jornalista Santiago Zavala conversa com o seu amigo Ambrosio. Estamos em Lima, na época ditatorial do general Manuel A. Odría (1948-1956), e dessa conversa acompanhada de cerveja emerge um Peru cruel, corrupto, desesperançado, matéria-prima ideal, portanto, para um romance que só um grande jornalista e escritor como Vargas Llosa poderia ter produzido.
Uma história esplêndida que reúne muitos dos ingredientes que fizeram a fama do autor peruano – as críticas ácidas, a irreverência, a rebeldia e o humor sarcástico.
Conversa n'A Catedral é a crónica de uma ditadura e da resistência possível graças à palavra. Uma aguda reflexão sobre a identidade latino-americana e sobre a perda da liberdade.
Um romance que, mais do que um marco na carreira literária do autor, é um ponto de referência inevitável na história da literatura universal.

Harry Renasce
Mark Sarvas




Um livro de culto, divertido, invulgar e com muito humor sobre um homem que enfrenta as preocupações da meia-idade.

Cosmos
Carl Sagan



Carl Sagan trata de tudo: 'Cosmos é tudo o que existiu, existe ou existirá.' O que o olhar humano alcança e, mais longe ainda, o que a mente humana alcança. Leva-nos numa viagem para a frente no espaço e para trás no tempo. Faz-nos sonhar! Poder-se-á pedir mais de um livro?
Carlos Fiolhais, físico

Carl Sagan é recordado como um dos maiores astrónomos de sempre, não só pelas suas contribuições exemplares para as ciências planetárias e a astrobiologia, mas por ter sido um extraordinário divulgador e comunicador de ciência. Visionário no estudo do sistema solar, a sua elegante, clara e inteligente forma de escrita ganhou, graças ao livro Cosmos, imensos adeptos e chegou a públicos até então afastados da ciência. A par do Mensageiro dos Céus, de Galileo Galilei, Cosmos é um livro maior na divulgação da astronomia: o livro e a série de TV que o acompanha serão para sempre considerados um dos acontecimentos mais importantes da história da divulgação cientifica. Cosmos é um livro para ler, reler e será sempre uma inspiração e motivação para descobrir o Universo que nos rodeia.
Pedro Russo, coordenador Global do Ano Internacional da Astronomia 2009

Em Cosmos, porventura pela primeira vez na literatura, são transmitidos com inteligência e emoção tocantes, a ideia e o sentimento de uma cidadania… cósmica.

Ninguém mais do que Carl Sagan desejou e se empenhou em encontrar indícios de vida inteligente no Universo, mas ninguém como ele foi tão céptico e rigoroso na verificação científica das suas supostas manifestações. Livro de viagens e de descoberta, Cosmos prepara-nos para esse encontro fantástico.
Guilherme Valente, editor

Sugestões de Natal

O ano passado o Mário colocou aqui umas sugestões de livros para oferecerem no Natal. E como falta menos de um mês para o Natal pensei seguir-lhe o exemplo.
Não vou sugerir nada que não tenha lido, até porque seria no mínimo estranho estar a sugerir algo que não conheço.

Vamos então começar:


A IGNORÂNCIA DO SANGUE
de Robert Wilson

A abrasadora cidade de Sevilha ainda está a recuperar de um chocante e ainda não solucionado ataque terrorista quando um violento e espectacular acidente de carro faz incidir a luz sobre outra ameaça. Um gangster morto e uma mala cheia de dinheiro significam que a máfia russa se encontra no caminho do Inspector Jefe Javier Falcón. (o mesmo de O Cego de Sevilha e de Assassinos escondidos).
À medida que emerge uma intensa guerra entre bandos rivais, Falcón encontra-se, assim como aqueles que lhe estão mais próximos, no centro da disputa e vê-se como alvo de forças letais subitamente desencadeadas. Perante um ataque tão brutal, Falcón decide retaliar com uma impiedade que o surpreende tanto quanto aos seus adversários… mas que terá um desenlace trágico.


Drácula - O Morto-Vivo
Stoker, Dacre


O.K. não é uma sugestão muito natalícia, eu sei. Mas gostei bastante deste livro.


Na presente sequela ao clássico da Literatura de terror escrita por Dacre Stoker (um descendente directo de Bram Stoker) e por Ian Holt (um reconhecido perito e investigador da história de Drácula) vemos como as vidas para sempre entrelaçadas destas personagens nunca se desligaram do vampiro que tão corajosamente lutaram por destruir. Passaram vinte e cinco anos desde que o pequeno grupo de heróis se uniu para destruir Drácula. Entretanto, Jonathan e Mina Harker criaram o filho, Quincey, que se tornou um jovem promissor, ainda que por vezes ingénuo, à medida que o outrora feliz casamento dos pais se ia deteriorando numa relação amarga. O doutor Seward - no passado, um médico eminente - vive agora no tormento da paranóia e da dependência de drogas. Arthur Holmwood, o intrépido guerreiro e elegante noivo de Lucy, deixou-se consumir pelo ódio e pelo remorso. Por fim, Van Helsing, o líder do destemido grupo, um homem doente e envelhecido, enfrenta o seu derradeiro inimigo: a morte.

Esta é uma continuação do romance de Bram Stoker, de grande riqueza histórica e ritmo vertiginoso, que consegue ser tão assustador como o original, mostrando-se amplamente capaz de ressuscitar as suas atmosferas. A sequela percorre fios do enredo, presentes nas notas que Bram compilou durante a pesquisa e a escrita de "Drácula", que não foram aproveitados na versão final, e recupera personagens que não sobreviveram aos seus esboços iniciais. Baseando-se, ainda, numa aturada investigação do príncipe Drácula histórico, da Roménia, e de outras figuras de renome, este é um livro fascinante e cheio de "suspense", que encantará tanto os velhos admiradores da obra-prima de Stoker como os fãs mais recentes - aqueles que se cruzarão, pela primeira vez, com o vampiro criado por Stoker.

«...ao mesmo tempo, uma sequela do livro de Bram Stoker e uma recriação da personagem que sistematizou os mitos e lendas dispersos sobre os vampiros. A principal diferença entre os dois livros reside na actualização do registo da escrita pois Bram Stoker fê-lo num género epistolar, enquanto Dacre Stoker e Ian Holt usam a técnica do moderno thriller.»
Diário de Notícias

A Cruz Amarela
René Wais


Este não é um romance. É um ensaio sobre os últimos Cátaros e sobre a inquisição e é brilhante.

«Absolutamente empolgante»
Daily Telegraph


Algures entre o diabo e Deus, entre a fúria da Igreja Católica e a liberdade religiosa, encontram-se os Cátaros…

Nos primeiros anos do século XIV, a Igreja Católica extinguiu a chama herética dos Cátaros no sudoeste de França. Este foi o último reduto de um povo forçado – depois de mais de um século de repressão e derramamento de sangue – a esconder as suas crenças extraordinárias nas aldeias isoladas dos Pirenéus. Mas, apesar do êxito da Igreja no extermínio dos Cátaros, o seu testemunho sobreviveu até aos dias de hoje. Baseado em relatos contemporâneos e através da sua própria, René Weis conta a história absorvente da luta condenada dos últimos Cátaros pela sobrevivência.

«Refrescante e estimulante … a melhor descrição da realidade do Catarismo na qual iremos penetrar durante muito tempo.»
The Times Literary Supplement

«Como romance religioso, A Cruz Amarela consegue o seu objectivo; como história de uma extirpação cruel, é arrebatadoramente conseguida.»
The Times

«Reconstrói de uma forma brilhante as maquinações pessoais e as intrigas sexuais através das quais os Cátaros dominaram Montaillou, antes de se tornarem vítimas da Inquisição.»
Sunday Times, Books of the Year

«Uma história com uma ressonância moderna poderosa, uma história de perfídia, traição, paixão, ganância e heroísmo … o meu livro do ano.»
Christopher Bland, Sunday Telegraph


E cheguei à conclusão que nenhum livro que aqui sugeri é aquilo que se pode chamar natalício, mas enfim pode ser que entretanto me lembre de algum...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Os Nus e os Mortos de Norman Mailer

Antes de começar um desabafo:
Aos anos que eu andava à procura deste livro... acho que, e sem exagero, há mais de 15 anos.
É um defeito das livrarias e editoras dos dias de hoje - só interessam os últimos títulos, os best-sellers do momento que em breve já ninguém encontra ou procura... só Deus sabe os anos que procurei um exemplar da "Ilíada" um clássico que nenhuma livraria tinha... de "A Divina Comédia" só encontrei a parte do Inferno (o resto li porque, inevitavelmente o Mário tinha a obra completa), mas não é só com os clássicos que isso se passa... alguém me diz onde se consegue comprar hoje em dia "A História de Mayta" do Vargas Llosa? ou "Esteiros" do Soeiro P. Gomes? ou ainda a maioria das obras do Erico Verissimo (excepção feita a "Olhai os Lírios do Campo)? Rodrigues Lobo? Silva Gaio? Thomas Mann? Kipling? Robert Louis Stevenson? Digo muito sinceramente com as editoras e livrarias que temos é difícil conseguir fazer uma boa biblioteca hoje em dia.
É triste que seja necessário esperar por uma ocasião como os 70 anos do inicio da II Guerra Mundial (é o que diz o autocolante da capa) para relançar um livro desta qualidade*.

Mas esquecendo os desabafos e voltando ao livro que eu quero sugerir hoje:


Norman Mailer é um daqueles autores que teve a (má)sorte de escrever a sua obra-prima e alcançar o sucesso com o seu primeiro romance. Precisamente este "Os Nus e os Mortos" publicado originalmente em 1948 atirou o seu autor para o estrelato.
É uma história de guerra mas não só. É muito mais...
Norman Mailer baseou-se na sua própria experiência para escrever aquele que foi, na opinião do jornal The Times: "O melhor romance de guerra que alguma vez saiu nos Estados Unidos".
Mas como já o disse é mais do que uma história de guerra.
É um relato sobre camaradagem, sobre a resistência humana quando levada ao limite, sobre coragem.


Um pelotão de jovens soldados norte-americanos percorre o seu caminho através do terreno traiçoeiro que atravessa a ilha de Anopopei, ocupada pelos japoneses. Apanhados na confusão do combate próximo e armado, e perseguidos por atiradores furtivos, são empurrados até aos limites da resistência humana. Mantidos juntos apenas pela vontade crua da sobrevivência, e mal conseguindo manter vivos os seus sonhos no meio da voragem, cada um dos homens encontra as suas esperanças mais recônditas e medos mais profundos expostos a nu pela pressão incansável do combate.

Um livro que impressiona pela linguagem crua e violenta mas como escreveu José Cardoso Pires no prefácio: "... estamos perante um fresco de violência, é certo, um fresco de carne violentada, mas onde domina sobretudo o tormento da alma, a razão de consciência."
Tudo neste livro é magnifico desde a construção das personagens, que retratam os diferentes "tipos de soldados" que participaram na guerra, as suas opiniões, os seus dilemas e medos. "O recurso a flashbacks, de inspiração nítida de Dos Passos, vem completar o perfil desta gente e justificar-lhe o comportamento. Essas páginas de «Time Machine», aqui traduzidas com tanta felicidade por «Máquina que Explora o Tempo»**, representam o cadastro vivo de um bando de heróis para os quais a guerra transcende a problemática ao nível da luta pela sobrevivência.
Domina-os o passado, a experiência da pátria. Em comparação com isso, medo e febres, horrores e fogo não podem representar a suprema provação. A provação última, a mais dura, é a de justificarem o seu esforço." (de novo Cardoso Pires no prefácio)

* O livro foi reeditado na comemoração dos 60 anos da sua publicação (1948-2008) e lançado de novo quando se assinalam os 70 anos do inicio da II Guerra Mundial.
** O prefácio foi escrito para a primeira edição portuguesa do livro (Ulisseia - 1958) nesta edição Time Machine já aparece com a tradução de Máquina do Tempo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cidadela - Antoine de Saint-Exupéry

Numa postagem anterior, o Mário disse que deve ser a única pessoa que não leu "O Princepezinho". Não vou desmenti-lo... Eu pelo menos li mas do Saint-Exupéry, o autor desse livro, guardo como referencia este outro livro "Cidadela".


Não sei - nunca soube- em que género o havia de classificar. Romance, ensaio, filosofia... não sei...
Mas posso garantir que é uma obra prima.

Confesso que ainda pensei andar a pesquisar na net em busca de algo que me ajudasse a escrever sobre este livro mas tudo o que encontrei (em diversos sites) foi e passo a citar:

Prefacio e Tradução de Ruy Belo.A Obra-prima de Saint-Exupéry.«Cidadela» é impossível de inserir num género específico, pois é composta por um léxico próprio, de vocábulos iluminados por um sentido outro. O sentido do que é autêntico, sincero e participado, pois, para Saint-Exupéry, só quem colabora é. E «Cidadela» é, porque reflecte o coração do homem simultâneamente singular e universal que procura e se pacifica ao considerar o silêncio como uma das respostas possíveis. Ao longo de uma narração de ordem aparentemente aleatória o autor indicia, assim, com uma sensibilidade notável, o reconhecimento dos limites próprios, dos outros e das coisas. Nas suas palavras: "a pedra não tem esperança de ser outra coisa que não pedra. Mas ao colaborar, ela congrega-se e torna-se templo" ainda que de abóboras imperfeitas, porque livres.


Convém realçar - e acho que isso escapou a quem escreveu este texto- que a ordem aparentemente aleatória do texto deve-se em grande medida ao facto do autor ter morrido sem acabar este livro.

Como disse e bem Ruy Belo no prefácio "ninguém pode dizer qual o aspecto final que a obra teria se Saint-Exupéry a tivesse podido acabar." (a citação é feita de memória - por isso as palavras podem não ser estas mas o sentido é).

Do que li deste autor é a obra que mais mexeu comigo em mais de um sentido.

Uma obra imortal e de uma profundidade assombrosa...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

lullaby canção de embalar - Chuck Palahniuk

Aqui há tempos, num das primeiras postagens neste blog, Deus chamou a Palahniuk um dos génios loucos da literatura.
Mas Palahniuk é bem mais do que isso...
É difícil encontrar adjectivos para o qualificar, quem quer que tenha lido um livro dele (ou viu a adaptação ao cinema de algum dos livros) sabe que os livros dele são habitados por seres invulgares, por vezes psicóticos, os rejeitados da sociedade...

Mas neste "Lullaby - canção de embalar" (que finalmente ao fim de já nem sei quantos anos o Mário finalmente me emprestou) temos um dos melhores livros dele que me recordo de ter lido.





Carl Streator, um viúvo solitário, repórter jornalístico quarentão que é enviado para fazer uma série de artigos sobre o Síndroma de Morte Súbita Infantil. No decurso da investigação, descobre uma sequência sinistra: a presença nos locais dessas mortes da antologia “Poemas e Rimas à volta do Mundo”, todos os exemplares abertos numa página onde surge um canto africano – uma canção de embalar. Essa canção revela-se letal quando falada ou mesmo pensada na direcção de alguém e quando se aloja no cérebro de Streator, ele transforma-se num serial killer involuntário. Junta-se então a uma agente imobiliária, Helen Hoover Boyle, especializada na venda de casas assombradas e que perdera uma criança há vários anos por acção da canção. O seu objectivo é eliminar todas as cópias do livro, impedindo que esse letal vírus verbal se espalhe e extermine a Humanidade. Acompanhado-os na viagem estão a assistente de Helen, Mona Sabbat, uma Wiccan extremamente zelosa, e o seu cínico namorado eco-terrorista, Oyster.

“Imaginem uma praga que se apanha através dos ouvidos.
Paus e pedras vão quebrar-vos os ossos, mas agora as palavras também vos conseguem matar.
A nova morte, esta praga, pode vir de qualquer lado. Uma canção. Um anúncio suspenso no céu. Um boletim noticioso. Um sermão. Um músico na rua. Pode apanhar-se a morte de um tipo das televendas. Um professor. Um ficheiro na internet. Um cartão de parabéns. Um bolinho da sorte. [...].
Imaginem o pânico. [...].
Imaginem as pessoas a entoar canções, a cantar hinos, para abafar todo e qualquer som que pudesse trazer a morte. Com as mãos bem coladas nos ouvidos, imaginem as pessoas a rejeitar toda e qualquer canção ou discurso em que a morte pudesse ser codificada, da maneira como os maníacos envenenam um frasco de aspirina. Qualquer palavra nova. Qualquer coisa que eles não compreendem já será suspeita, perigosa. Evitada. Uma quarentena contra a comunicação.”

in “Lullaby – Canção de Embalar” de Chuck Palahniuk