Pesquisar neste blogue

Etiquetas

Mario Vargas Llosa (7) romance histórico (6) Bernard Cornwell (5) Chuck Palahniuk (5) Christopher Moore (4) Erico Veríssimo (4) Haruki Murakami (4) Carlos Ruiz Zafón (3) Deana Barroqueiro (3) George R. R. Martin (3) SALMAN RUSHDIE (3) Amin Maalouf (2) Antoine de Saint-Exupéry (2) Arturo Pérez-Reverte (2) José Luís Peixoto (2) Luis Sepúlveda (2) Prémio Nobel da literatura (2) Richard Zimler (2) Roberto Bolaño (2) Robin Hobb (2) Stieg Larsson (2) crónicas saxónicas (2) 1Q84 (1) 2666 (1) A Balada do café Triste (1) A Cidade e os Cães (1) A Cruz Amarela (1) A Demanda da Reliquia (1) A Desilusão de Deus (1) A Festa do Chibo (1) A Floresta dos Espíritos (1) A Guerra do Fim do Mundo (1) A Historia de Mayta (1) A IGNORÂNCIA DO SANGUE (1) A Neblina do Passado (1) A Rainha no Palácio das Correntes de Ar (1) A Rapariga que Sonhava com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo (1) A SOMBRA DO VENTO (1) A Saga do Assassino (1) A SÍNDROME DE ULISSES (1) A Valsa do Adeus (1) A conspiração contra a América (1) A guerra dos tronos (1) A tia Julia e o Escrevedor (1) A tábua de Flandres (1) AUTOBIOGRAFIA PELOS MONTY PYTHON (1) Al Berto (1) Alfred Döblin (1) Alice do outro lado do espelho (1) Alice no país das maravilhas (1) Alison Croggon (1) Ambrose Bierce (1) Angelologia (1) As Crónicas de Gelo e Fogo (1) As cruzadas vistas pelos Arabes (1) Auto-de-Fé (1) Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo (1) Baudolino (1) Berlim Alexanderplatz (1) Bill Willingham (1) Boris Vian (1) CRISTOVÃO COLOMBO O ÚLTIMO DOS TEMPLÁRIOS (1) Caim (1) Carson McCullers (1) Chuck Palahniuk Jean-Christophe Grangé (1) Cidadela (1) Cinza e Poeira (1) Clarissa (1) Clube de combate (1) Confia em Mim (1) Cordeiro - O Evangelho Segundo Biff o amigo de infância de Jesus Cristo (1) Correcção à postagem anterior (D. Sebastião e o Vidente) (1) Corrida contra a morte (1) Cronicas do Senhor da Guerra (1) Crónica do passaro de corda (1) D. Sebastião e o Vidente (1) Dacre Stoker (1) Danielle Trussoni (1) Dança Dança Dança (1) Diário (1) Dostoievski (1) Douglas Adams (1) Drácula - O Morto-Vivo (1) Elias Canetti (1) Elizabeth Kostova (1) Em nome da terra (1) Emily Bronte (1) Excalibur (1) FABLES - FÁBULAS LENDAS NO EXILIO (1) Fernando Assis Pacheco (1) Firmin (1) Furia Divina (1) Gore Vidal (1) Grouxo Marx (1) Harlequin (1) Harry Potter (1) Historias daqui e dali (1) Histórias Amorais Para Crianças e Animais (1) Imperio (1) Incidente em Antares (1) Invasores Terrestres (1) Inéditos (1) J.K. Rowling (1) JOHN DOS PASSOS - MANHATTAN TRANSFER (1) JOSH BAZELL (1) JOÃO PAULO OLIVEIRA E COSTA (1) JULIO MAGALHÃES (1) Jack Kerouac (1) Jeaan Christophe Grangé (1) Jeff Abbott (1) Jesus o Bom e Cristo o Patife (1) John Steinbeck (1) Joseph Conrad (1) José Carlos Ary dos Santos (1) José Rodrigues dos Santos (1) José Saramago (1) João Diogo Zagalo (1) João Ubaldo Ribeiro (1) Lan Medina (1) Leonardo Padura (1) Lewis Carroll (1) Lidia Jorge (1) Livro (1) Luis Fernando Verissimo (1) Luka e o Fogo da Vida (1) Lullaby - canção de embalar (1) MARK BUCKINGHAM (1) MONTY PYTHON (1) Marina (1) Matilde Rosa Araújo (1) Matthew Pearl (1) Memórias de um Pinga-Amor (1) Milan Kundera (1) Minha Besta (1) Monstros Invisíveis (1) Morreu José Saramago (1) Mário Delgado Aparaín (1) Mário de Carvalho (1) Música ao Longe (1) Nenhum Olhar (1) Norman Mailer (1) Nostromo (1) O Albatroz Azul (1) O Cais das Merendas (1) O Clube Dumas (1) O Clube dos Anjos (1) O Deus das Moscas (1) O Dom - As Crónicas de Pellinor Livro I (1) O Graal (1) O IMPÉRIO DOS PARDAIS (1) O Inimigo de Deus (1) O Medo (1) O Monte dos Vendavais (1) O Outono em Pequim (1) O Regresso do Assassino (1) O Rei do Inverno (1) O Restaurante no Fim do Universo (1) O Resto é Silêncio (1) O Romance da Bíblia (1) O Silmarillion - Contos inacabados de Numenor e da Terra Média - Tolkien (1) O Sonho do Celta (1) O Terceiro Reich (1) O ULTIMO CABALISTA DE LISBOA (1) O Vagabundo (1) O clube de Dante (1) O espião de D João II (1) O jogo do anjo (1) O planalto e estepe (1) O Último Suspiro do Mouro (1) OS RETORNADOS - UM AMOR NUNCA SE ESQUECE (1) OS VERSÍCULOS SATÂNICOS (1) Obra Poética (1) Os Anagramas de Varsóvia (1) Os Gropes (1) Os Homens Que Odeiam as Mulheres (1) Os Jardins da Luz (1) Os Ladrões de Cisnes (1) Os Nus e os Mortos (1) Os Piores Contos dos Irmãos Grim (1) PEREGRINAÇÃO DE ENMANUEL JHESUS (1) Pastagens do Céu (1) Pedro Rosa Mendes (1) Pela Estrada Fora (1) Pepetela (1) Philip Pullman (1) Philip Roth (1) Primo Levi Se isto é um homem A trégua Os que sucumbem e os qu se salvam (1) RUGGERO MARINO (1) Recordações da casa dos mortos (1) Rei Artur (1) Renato Carreira (1) René Wais (1) Richard Dawkins (1) Robert Silverberg (1) Robert Wilson (1) SANTIAGO GAMBOA (1) Sam Savage (1) Sherwood Anderson (1) Sobrevivente (1) Sonho Febril (1) Stonehenge (1) Sugestões de Natal (1) Terra em Chamas (1) Tom Sharpe (1) Tom Wolfe; Salman Rushdie (1) Trabalhos e Paixões de Benito Prada (1) Um Lugar ao Sol (1) Um acontecimento na ponte de Owl Creek (1) Um deus passeando pela brisa da tarde (1) Umberto Eco (1) Vergílio Ferreira (1) Will Ferguson (1) William Golding (1) Winesburg Ohio (1) Yrsa Sigurdardóttir (1) a canção da espada (1) conversa na catedral (1) o anjo mais estupido (1) o bobo (1) o cavaleiro da morte (1) o último reino (1) os meus primeiros anos Winston Churchill (1) os senhores do norte (1) À Boleia Pela Galáxia (1)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Histórias Amorais Para Crianças e Animais de João Diogo Zagalo

Há já uns dias que queria por aqui este livro mas dificuldades com a net nos últimos dias (e o facto de só o ter comprado na sexta-feira) atrasaram a postagem.




35 Histórias com muitos amores negros, humores de verão, bizarros fait-divers, onde se cruzam personagens reais e de ficção, e um ou outro animal, numa atmosfera demente e amoral.


O Autor divide os seus contos em 5 temáticas diferentes (histórias de amor; histórias de trabalho; fait-divers; mini peças de teatro; histórias baseadas no imaginário popular). Mas tal como explica no Prefácio da Obra, estes Universos, todos povoados por personagens bizarros, interligam-se. Podemos, por exemplo, assistir a uma história de amor sobre um homem sem pescoço, ou uma história de trabalho onde a nova contratação da empresa é um funcionário invisível e mudo, que todos suspeitam nem sequer existir…


Um livro onde se cruzam as personagens dos contos das nossas infancias como nunca os vimos, gente normal e situações do quotidiano... mas com uma atmosfera e humor...  no minimo invulgares
Um livro divertido, um conjunto de pequenas histórias que se leem de um folego...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Obra Poética de José Carlos Ary dos Santos

José Carlos Pereira Ary dos Santos (Lisboa, 7 de Dezembro de 1936 — Lisboa, 18 de Janeiro de 1984) foi um poeta e declamador português.
Após a morte da mãe, vê publicados pela mão de vários familiares, alguns dos seus poemas. Tinha catorze anos e viria, mais tarde, a rejeitar esse livro. Ary dos Santos revelaria, verdadeiramente, as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. Várias poesias suas integraram então a Antologia do Prémio Almeida Garrett.
Através da música chegará ao grande público, concorrendo, por mais que uma vez, ao Festival RTP da Canção, sob pseudónimo, como exigia o regulamento. Classificar-se-ia em primeiro lugar com as canções Desfolhada Portuguesa (1969), com interpretação de Simone de Oliveira, Menina do Alto da Serra (1971), interpretada por Tonicha, Tourada (1973) e Portugal no Coração (1977), interpretações do conjunto Os Amigos.




Para muitos ele foi o autor de muitas e das melhores canções escritas em português [Ary dos Santos foi o autor de mais de seiscentos poemas para canções, interpretados por nomes tão variados como Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho ou Simone de Oliveira].
Numa altura em que se fala no ressurgimento da canção de intervenção e em que se levantou uma (quanto a mim) falsa polémica em relação à canção vencedora do Festival da Canção deste ano convém lembrar que foi ele o autor da letra da canção Tourada com que Fernando Tordo ganhou o mesmo festival em 1973 e que era uma critica à Primavera Marcelista e à situação que o país atravessava na época...

Mas José Carlos Ary dos Santos foi muito mais do que um escritor de canções e a prova-lo esta antologia que reune toda a poesia escrita por este grande poeta.



Intróito

Das tuas mãos de vidro, carregadas
De jóias tilitantes e doentes,
Das palavras que trazes afogadas,
Das coisas que não dizes mas entendes.

Do teu olhar virado às madrugadas
De fantásticos e exóticos orientes,
Do teu andar de tule, das estocadas
Dos gestos que não fazes mas que sentes.

Dos teus dedos sinistros, de tão brancos,
Dos teus cabelos lisos, de tão brandos,
Dos teus lábios azuis, de tanta cor,

É que me vem a fúria de bater-te,
É que me vem a raiva de morder-te,
Meu amor! Meu amor! Meu amor!

A cidade é um chão de palavras pisadas

A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.

A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.

A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.

A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Medo de Al Berto

Al Berto

Poeta e editor português, de nome completo Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu a 11 de Janeiro de 1948, em Coimbra, e faleceu a 13 de Junho de 1997, em Lisboa. Tendo vivido até à adolescência em Sines, exilou-se, entre 1967 e 1975, em Bruxelas, dedicando-se, entre outras actividades, ao estudo de Belas-Artes. Publicou o primeiro livro dois anos depois de regressar a Portugal.

Em mais de vinte anos de actividade literária, a expressão poética assumida por Al Berto, o pseudónimo do autor, distingue-se de qualquer outra experiência contemporânea pela agressividade (lexical, metafórica, da construção do discurso) com que responde à disforia que cerca todos os passos do homem num universo que lhe é hostil. Trazendo à memória as experiências poéticas de Michaux ou de Rimbaud, é no próprio sofrimento, na sua violenta exaltação, na capacidade de o tornar insuportavelmente presente (nas imagens de uma cidade putrefacta, na obsidiante recorrência da morte e do mal, sob todas as suas formas) que a palavra encontra o seu poder exorcizante, combatendo o mal com o mal. É neste sentido que Ramos Rosa fala de uma "poesia da violência do mundo e da realidade insuportável": "a opacidade do mal ou a agressividade do mundo é tão intensa que provoca um choque e um desmoronamento geral", mas "à violência desta destruição responde o poeta com uma violenta negatividade que é uma pulsão de liberdade absoluta, que procura por todos os meios o seu espaço vital.", sublinhando ainda a forma como esta espécie de "grito de fragilidade extrema e irredutível do ser humano, do seu desamparado infinito, da sua revolta absoluta e sem esperança", se consubstancia, ao nível do estilo, num ritmo "ofegante, precipitado, como um assalto contínuo feito de palavras tão violentas como instrumentos de guerra" (cf. ROSA, António Ramos - A Parede Azul. Estudos Sobre Poesia e Artes Plásticas, Lisboa, Caminho, 1991, pp. 120-121). No domínio editorial, a sua actividade pautou-se pela isenção e certa ousadia relativamente às políticas comerciais livreiras dominantes.
Inicialmente seguindo uma estética surrealizante de temática erótica, em O Anjo Mudo (1993) funde prosa e poesia, exprime intertextualidades, numa viagem marginal e purificadora. A quase totalidade da sua obra poética encontra-se coligida em O Medo.
Foi galardoado com o Prémio Pen Club de Poesia em 1987.

E é este O Medo que eru deixo como sugestão.
Uma colecção de alguns dos melhores poemas escritos em português nos últimos anos. Um trabalho simplesmente magnifico...

Dizem que a paixão o conheceu


dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos



Horto

homens cegos procuram a visão do amor
onde os dias ergueram esta parede
intransponível

caminham vergados no zumbido dos ventos com os braços erguidos - cantam

a linha do horizonte é uma lâmina
corta os cabelos dos meteoros - corta
as faces dos homens que espreitam para o palco
nocturno das invisíveis cidades

escorre uma linfa prateada para o coração dos cegos
e o sono atormenta-os com os seus sonhos vazios

adormecem sempre
antes que a cinza dos olhos arda
e se disperse

no fundo do muito longe ouve-se
um lamento escuro
quando a alba se levanta de novo no horto
dos incêndios

prosseguem caminho
com a voz atada por uma corda de lírios
os cegos
são o corpo de uma fogo lento - uma sarça
que se acende subitamente por dentro

Sida

aqueles que têm nome e nos telefonam
um dia emagrecem - partem
deixam-nos dobrados ao abandono
no interior duma dor inútil muda
e voraz

arquivamos o amor no abismo do tempo
e para lá da pele negra do desgosto
pressentimos vivo
o passageiro ardente das areias - o viajante
que irradia um cheiro a violetas nocturnas

acendemos então uma labareda nos dedos
acordamos trémulos confusos - a mão queimada
junto ao coração

e mais nada se move na centrifugação
dos segundos - tudo nos falta
nem a vida nem o que dela resta nos consola
a ausência fulgura na aurora das manhãs
e com o rumor do corpo a encher-se de mágoa

assim guardamos as nuvens breves os gestos
os invernos o repouso a sonolência
o vento
arrastando para longe as imagens difusas
daqueles que amámos e não voltaram
a telefonar

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Memórias de um Pinga-Amor de Grouxo Marx

“Este livro foi escrito durante as longas horas em que esperei que a minha mulher se vestisse para sairmos. E se ela nunca se tivesse vestido, este livro nunca teria sido escrito.”



Julius Henry Marx (2 de Outubro, 1890 - 19 de Agosto, 1977) foi um actor americano que ficou mais conhecido como Groucho Marx um dos famosos Irmãos Marx foi protagonista de 26 filmes 13 dos quais com os seus irmãos: Leonard (Chico Marx), Milton (Gummo Marx), Arthur (Harpo Marx).
Este livro: Memórias de um Pinga-Amor foi escrito em 1963 e contem algumas pérolas do género das que transformaram os Irmãos Marx num dos mais bem sucedidos grupos de humor de todos os tempos.

Em tempos ele terá dito - e o grande problema com as citações de Grouxo Marx é que ele disse noutra ocasião: Podem citar-me desde que digam que me citaram mal.”- “A likely story — and probably true”.(Uma hisória provável – e provavelmente verdadeira.) e é o que se passa com as histórias que ele vai contando neste livro algumas até podem ser verdadeiras.

Na verdade a maioria das histórias são momentos de puro disparate, do humor feroz e por vezes ofensivo que caracterizou Grouxo Marx:

- Nunca esqueço uma cara, mas para si vou abrir uma excepção.
- Você é a mulher mais bela que vi em toda a minha vida… o que não abona muito em meu favor. - Ele pode parecer um idiota e até comportar-se como um idiota. Mas não se deixe enganar – ele é mesmo um idiota!

Li este livro pela primeira vez já lá vão mais de quinze anos e de cada vez que o leio continuo a rir-me como da primeira vez que o li.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pela Estrada Fora de Jack Kerouac

“Para onde ides vós, América, no vosso automóvel a cintilar pela noite fora?”


Vibrante...

Cheio de vida e cor...

Um retrato vivido de uma geração...


«Para as adolescentes, ele foi o poeta louco, o primeiro amor que nunca esqueceram, com a sua conversa sobre boleias em comboios de carga e carros, estrada fora. Kerouac criou um herói de estilo moderno em Pela Estrada Fora; inventou a Geração Beat, originou um estilo de viver e um estilo de escrever.»
The Guardian

O livro conta as viagens de Sal Paradise pelas estradas da America nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial na companhia do amigo Dean Moriarty. São páginas repletas de noites loucas... de alcool... de excessos... e de jazz muito jazz.
Da Costa Leste à Costa Oeste... de Norte a Sul os personagens loucos que habitam este livro percorrem as estradas americanas em busca de algo que nunca encontram...
Mais do que um romance é uma história dos fundadores do movimento Beat:
Neal Cassady transformouse em Dean Moriarty, Allen Ginsberg em Carlo Marx, William Burroughs em Old Bull Lee, e o próprio Kerouac em Sal Paradise.

"Para onde ides vós, América, no vosso automóvel a cintilar pela noite fora?” É a pergunta que a páginas tantas um dos personagens (Carlo Marx) faz e é uma pergunta que fica por responder.

Um romance que marcou toda uma geração.
Um livro magnifico...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Terceiro Reich de Roberto Bolaño

Udo Berger, que sempre quis ser um grande escritor, mas que tem de se conformar em ser o campeão de "jogos & estratégia de guerra em Stuttgart", decide ir ao Hotel del Mar, na Costa Brava catalã, com a sua nova namorada, Ingeborg (nome de uma das personagens de 2666). O objectivo é treinar-se para participar num novo jogo de estratégia, justamente Terceiro Reich, e preparar-se para ganhar um torneio internacional. Eles compartilham as suas férias com um outro casal alemão, Charlie e Hanna, até que o primeiro destes desaparece misteriosamente depois de se cruzar com dois sinistros personagens que também levantam suspeitas junto das autoridades locais: «O Lobo» e «O Cordeiro». Entretanto, Udo Berger é perseguido por um detective estranho e sombrio e, atormentado por essa perseguição sem sentido, acaba por entrar em delírio com a "paisagem surreal da Costa Brava". Tudo isto acontece quando entra num jogo de vida ou morte com um personagem enigmático e de rosto desfigurado, El Quemado. Uma autêntica sinfonia de literatura, política, divertimento surreal, absurdo. Gozo puro.

Surreal...? Absurdo...?
Talvez sim. Mas com a capacidade de prender o leitor de o fazer mergulhar na história e nos personagens nos ambientes... Conseguimos sentir as angustias do personagem como se fossem as nossas e isso poucos escritores conseguem...
Talvez não tenha a qualidade de 2666 como já li e ouvi dizer mas é ainda assim um excelente romance - um dos melhores que li nos últimos tempos...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Deus das Moscas de William Golding

Há algo neste livro que eu não sei explicar... mas sei que, desde a primeira vez que o li, já lá vão mais de quinze anos, nunca mais o consegui largar... É um daqueles livros que me acompanham onde quer que vá e a que regresso vezes sem conta.

Publicado originalmente em 1954, O Deus das Moscas de William Golding é um dos mais perturbadores e aclamados romances da actualidade.
Um avião despenha-se numa ilha deserta, e os únicos sobreviventes são um grupo de rapazes. Inicialmente, desfrutando da liberdade total e festejando a ausência de adultos, unem forças, cooperando na procura de alimentos, na construção de abrigos e na manutenção de sinais de fogo. A supervisioná-los está Ralph, um jovem ponderado, e o seu amigo gorducho e esperto, Piggy. Apesar de Ralph tentar impor a ordem e delegar responsabilidades, muitos dos rapazes preferem celebrar a ausência de adultos nadando, brincando ou caçando a grande população de porcos selvagens que habita a ilha. O mais feroz adversário de Ralph é Jack, o líder dos caçadores, que consegue arrastar consigo a maioria dos rapazes. No entanto, à medida que o tempo passa, o frágil sentido de ordem desmorona-se. Os seus medos alcançam um significado sinistro e primitivo, até Ralph descobrir que ele e Piggy se tornaram nos alvos de caça dos restantes rapazes, embriagados pela sensação aparente de poder.

É um retrato cruel da natureza humana. É um retrato da história humana. Duro. Cruel. Por vezes sombrio e perturbador. Mas é um retrato fiel.
E por isso mesmo um livro magnifico...

Os Ladrões de Cisnes de Elizabeth Kostova


Aqui há uns anos tropecei por acaso num livro de que gostei imenso e que se chamava: "O Historiador" um livro que me prendeu. Há dias tive o prazer de encontrar numa livraria um livro da mesma autora.

O livro chama-se "Os Ladrões de Cisnes" e a autora Elizabeth Kostova.

O psiquiatra Andrew Marlow tem uma vida pacata e organizada, compensando a solidão com a dedicação ao trabalho e ao passatempo da pintura. Esta ordem é destruída quando o célebre e carismático pintor Robert Oliver ataca um quadro na Galeria Nacional e se torna seu paciente.
Internado numa instituição psiquiátrica, o pintor remete-se ao silêncio absoluto e recusa-se a revelar as razões que o levaram a atacar a obra de arte que retrata o corpo nu de uma mulher subjugada por um grande cisne branco. A única coisa que Oliver faz é desenhar repetidamente a figura misteriosa de uma bela mulher vestida à moda do período vitoriano.
Desesperado por compreender o segredo que atormenta o génio, o psiquiatra embarca numa viagem que o leva a conhecer as mulheres da vida de Oliver e a descobrir um trágico segredo esquecido há mais de cem anos. À entrada do labirinto, Marlow não sabe ainda que também ele será acometido por uma estranha obsessão.

Mais do que uma história é um conjunto de três histórias ligadas entre si e que a autora vai contando com um talento assombroso. Desde finais do Séc. XIX até aos nossos dias as histórias que a autora conta fundem-se numa trama única tendo um quadro como elo de ligação.
De um lado a história de Robert Oliver, contada pelas mulheres que o amaram e que viveram com ele durante anos... de outro lado a investigação levada a cabo pelo psiquiatra Andrew Marlow na tentativa de tratar Oliver... e ainda a verdadeira história por trás do quadro que Oliver atacou e a misteriosa mulher que ele insiste em retratar.

Um excelente livro, embora por vezes um pouco previsível... mas ainda assim excelente!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Luka e o Fogo da Vida de Salman Rushdie

De volta à campanha Nobel Pró Rushdie.








Como ninguém seguiu a sugestão do Luís tive de comprar este livro a seguir ao Natal… e mesmo tratando-se de uma história para adolescentes (foi escrita para o filho de doze anos) encontra-se nestas páginas toda a magia e criatividade deste que é, na minha opinião, o melhor escritor da actualidade.
Anos atrás Rushdie escreveu “Harun e o Mar de Histórias” que dedicou ao seu filho mais velho (se alguém souber onde o consigo arranjar por favor digam-me) Este livro sendo uma história diferente é uma espécie de continuação dessa história e dedicada ao seu filho mais novo.

Luka o irmão mais novo de Harun embarca numa aventura pelo Mundo da Magia numa tentativa de salvar o pai. Com ele viajam um urso chamado Cão e um cão chamado Urso. Pelo caminho cruzam-se com todo o tipo de obstáculos, adversários temíveis e poderosos e também, claro está, aliados e novos amigos.
Uma história, como já disse, repleta de magia e fantasia a fazer por vezes lembrar “O Feiticeiro de OZ” (assumidamente o filme preferido do autor). Uma história para adolescentes, sim senhor mas para ser lido por todos. Uma história fantástica que prova o talento e versatilidade deste grande senhor que já merece há muito o Nobel (cá volto eu ao mesmo!!!!!!) que os suecos insistem em negar-lhe.


Numa bela noite estrelada, na cidade de Kahani, em terras de Alifbay, aconteceu uma coisa terrível: o pai de um rapaz de doze anos chamado Luka, o contador de histórias Rashid, mergulhou súbita e inexplicavelmente num sono tão profundo que não havia quem conseguisse acordá-lo. Para o salvar de se sumir por completo, Luka tem de empreender uma jornada pelo Mundo Mágico, deparando pelo caminho com um sem-número de fantasmagóricos obstáculos, a fim de roubar o Fogo da Vida, uma tarefa aparentemente impossível e extremamente perigosa.

Com Harun e o Mar de Histórias, Salman Rushdie creditou-se como um dos melhores contadores de fábulas contemporâneas, e o livro revelou-se uma das suas obras mais populares junto de leitores de todas as idades. Se Harun foi escrito como presente para o seu primeiro filho, Luka e o Fogo da Vida, a história do irmão mais novo de Harun, é uma prenda para o segundo filho, por ocasião do seu décimo segundo aniversário.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Historias daqui e dali de Luis Sepulveda



Um conjunto de vinte e cinco pequenos textos pessoais de um dos melhores autores da actualidade. Um conjunto de textos que evoca pessoas, lugares ou situações espalhadas pelo tempo e pela memória do autor.
São todos eles textos carregados de sentimentos profundos (saudade por pessoas e locais desaparecidos, magoa pela crueldade e injustiça que o rodeiam…) e, em todos eles, está presente o olhar apurado e critico do autor.
Um excelente livro que se lê de um só fôlego

«Tá diz-se em uruguaio quando se procura afirmar com ênfase, e Tá respondeu Mario Benedetti quando a decência perguntou se havia que arriscar pelos pobres, pelos fracos, pelos condenados da terra, pelos que não tinham direito à alegria, pelos que sonhavam com uma existência justa, por uma palavra "amanhã" plena de sentido.»

Esta frase, que dá início a uma das histórias que Luis Sepúlveda recolhe neste livro, resume perfeitamente tanto o espírito que guia a vida do autor chileno, como as suas palavras. Palavras seguras, potentes mas sussurrantes, que sempre nos interrogam sobre o estado do mundo e das suas gentes. Foi essa interrogação constante que consagrou Luis Sepúlveda como um dos mais originais escritores de língua castelhana.

Nestas 25 histórias somos transladados para diversos cenários, distintas situações, países daqui e dali, mas as palavras do autor remetem-nos sempre para um mesmo território literário: o território dos derrotados que se negam a aceitar a derrota. Um território bem conhecido dos leitores de Luis Sepúlveda que, neste livro, se reencontrarão com algumas das melhores passagens da sua extensa obra literária.